Segunda-feira, 2 de Outubro de 2006
Lady In The Water

De M. Night Shyamalan, com Paul Giamatti, Bryce Dallas Howard, Bob Balaban, Jeffrey Wright, Sarita Choudhury, Freddy Rodriguez

 

Uma estória de embalar. Uma nova mitologia. É pelo menos neste formato que nasce um novo mundo saído da mente de M. Night Shyamalan. Um hotel pelo qual Cleveland Heep (Paul Giamatti) se encarrega de cuidar com a sua total entrega e dedicação. Uma jovem "rapariga" (Bryce Dallas Howard) que surge das profundezas de uma piscina, e que vem pedir ajuda para regressar ao seu mundo. Uma comunidade, que como qualquer outra contem variadas personalidades, todas elas possuidores de "mundos" diversos. E é neste "pequeno" contexto que surge "Lady In The Water".

 

À primeira vista, podia-se pensar que este era um daqueles casos em que toda a trama envolvida no filme não funcionaria, seria, por assim dizer, demasiado e disparatado. Mas tal não sucede, M. Night Shyamalan consegue reunir todas as suas ideias e fazer com que na realidade aquilo que estamos a ver se apresente, não só apelativo, como também dramaticamente estimulante, e isto porque consegue juntar com brilhantismo dois mundos: O real e o imaginário. Portanto, e se necessário fosse justificar a ficção em função da realidade, também aqui Shyamalan teria sucesso.

E jamais poderemos ficar pela superfície deste Lady In The Water. À que mergulhar nas suas águas (passo o paralelismo) e ver o quão profundo é. Porque não são só as "Narfas", o "Mundo Azul" ou as criaturas ferozes revestidas de relva. É acima de tudo o ensaio sobre a Humanidade, os seus constituintes, as suas relações e os seus propósitos. E como ao falar de Humanidade estamos a falar antes de mais nada na singularidade de cada Humano que a constitui, e de como o seu papel é fundamental para a consolidação do todo, é de assinalar toda a construção feita, tanto a nível metafórico (onde a criação de uma comunidade que luta UNIDA por um fim, que mesmo o ultrapassando não é encarado como alheio e que em ultima instancia se apresenta como algo determinante e fulcral para cada individuo, serve como perfeita representação do próprio mundo que nos rodeia) como a nível da particularidade com que cada individuo/personagem é criado e consequentemente progride.

 

Aliás, um dos aspectos mais interessantes desta obra é o facto de Shyamalan nos dar um retracto tão dilacerantemente profético e apresentá-lo de uma forma subtilmente invulgar. Porque este é um exercício de exorcização por parte de Shyamalan, é um grito de esperança na, e pela Humanidade.

Uma última nota para a equipa que tão bem trabalhou com Shyamalan: desde o elenco de actores (encabeçado por um extraordinário Paul Giamatti e uma não menos magnifica Bryce Dallas Howard) até à indescritível fotografia assinada por Christopher Doyle, passando, claro está, pela mágica banda sonora composta por James Newton Howard.

 

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Sexta-feira, 22 de Setembro de 2006
World Trade Center

 De Oliver Stone, com Nicolas Cage, Michael Peña, Maggie Gyllenhaal, Maria Bello…

 

Não é que não seja uma boa e interessante obra, mas com o talento envolvido no projecto seria de esperar algo de "maior". Ora é um exagerado academismo que tende a arrastar uma narrativa para a sua faceta mais previsível, ou então algo que soa a forçado e pouco "criativo". Serão talvez as falhas mais notórias que encontro neste World Trade Center, pois poderemos sempre elogiar o mesmo pela boa prestação de um elenco onde se destacam as duas figuras femininas, Maggie Gyllenhaal e Maria Bello, pelo retrato comovente de duas esposas debatendo-se com a incerteza da morte dos respectivos maridos.

 

Quando falo no transparecer durante o filme de algo forçado, não me refiro ao trabalho nem aos propósitos de Oliver Stone, pois este sempre foi um realizador bastante preocupado em retractar o seu país. E se virtudes encontrar-mos neste filme, uma deles é a tentativa de Stone de se afastar da ambiência mediática que envolve(u) todo o acontecimento, focando-se antes na perspectiva humana do mesmo.

 

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Sábado, 9 de Setembro de 2006
Volver

 De Pedro Almodóvar, com Penélope Cruz, Carmen Maura, Lola Dueñas, Blanca Portillo...

 

Depois de um obsessivamente belo "La Mala Educacion", e brincando com o titulo deste novo Volver, Almodóvar volta a um cinema que cruza como poucos um humor bastante característico com uma pujança dramática comovente. Volta também a reunir-se com actrizes que já anteriormente brilharam nos seus filmes, mas acima de tudo volta a mostrar que por ele passa o que de melhor se faz no cinema espanhol e não só.

 

Premiado que foi em Cannes (melhor elenco feminino) Volver oferece-nos realmente um extraordinário exercício de interpretação e cumplicidade por parte das actrizes que dão corpo e alma a uma estória que tem tanto de cómico como de comovente, porque Almodover consegue como poucos fabricar um universo dotado de algo de terrivelmente real mas mascarado de um absurdo que por incrível que possa parecer, convence. E temos ainda uma Penélope Cruz extraordinário, fazendo aquele que se avizinha como um dos melhores desempenhos do ano.

 

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Looking For Fidel

 De Oliver Stone, com Fidel Castro

 

 Um dos realizadores norte-americanos mais controversos do presente entrevista um dos líderes políticos mais controversos de sempre. Esta entrevista em formato documental é uma obra em estado de graça, e isto porque me refiro a um "documento" não só importante a nível audiovisual, mas também com uma importância histórica muito forte. Apesar da sua curta duração é-nos mostrado um "confronto" bastante interessante entre Oliver Stone e Fidel Castro. É curioso ver-mos o desenvolver da entrevista (sempre intercalada com algumas imagens de arquivo e com entrevistas feitas a outros indivíduos), aliás com uma montagem excepcional e muito pouco convencional, e prestar-mos atenção ao discurso tanto do entrevistado como do entrevistador. Aliás, este "documentário" é tanto mais importante pelo facto de se saber que Fidel Castro recusa todos os anos qualquer convite feito por parte da imprensa.


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Sexta-feira, 8 de Setembro de 2006
The Three Burials of Melquiades Estrada

 De Tommy Lee Jones, com Tommy Lee Jones, Barry Pepper, Julio Cedillo, Dwight Yoakam

 

Porque quem escreve um argumento com o calibre de um "21 Gramas" dificilmente poderá escrever alguma coisa que desiluda, e já que o argumento é por assim dizer a espinha dorsal de um filme, como poderia "The Three Burials of Melquiades Estrada" ser uma má proposta?!

 

E se o argumento de Guillermo Arriaga é um tremendo exercício de uma escrita enraizada na mais pura essência dramática, não se pode deixar de referir os valores interpretativos (Tommy Lee Jones e Barry Pepper possuem uma química fantástica) e a excelente direcção fotográfica, assinada por Chris Menges e que consegue captar de uma forma soberba a paisagem árida que tanta influência tem nas personagens que habitam este fabuloso conto. Porque é impossível dissociar o Homem do contexto geográfico em que se insere.

 

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Quinta-feira, 17 de Agosto de 2006
Mais Vale Tarde Do Que Nunca. 1 Ano de Valinor

Não é que me esqueci complectamente no mês passado que este blog fazia 1 aninho de existência!! Deve ser algo inedito (negativamente inedito no universo dos blogs) o criador do blog esquecer-se complectamente que a sua criação faz anos, imperdoavel, direi mesmo um verdadeiro crime, e logo eu que para aniversarios tenho uma memoria fantastica (pois...pois). Bom... paciência, mais vale tarde do que nunca.

 



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Far From Heaven

De Todd Haynes, Com Julianne Moore, Dennis Quaid, Dennis Haysbert

 

Um dos filmes mais aclamados pela critica a cerca de quatro anos atrás, e quanto a mim aclamação mais que justificada. Realmente Far From Heaven é não só uma esplendorosa revisitação a um dos períodos mais felizes do cinema americano, onde o melodrama reinava e claro Douglas Sirk era a figura central, como é acima de tudo um comovente exercício dramático. Todd Haynes ("Safe", "Velvet Goldmine") prova mais uma vez todo o seu talento tanto a nível estético, com um estremo cuidado na reconstrução da época (gurada-roupa, cenários), oferecendo ainda uma deslumbrante fotografia assinada por Edward Lachman e uma banda-sonora belíssima composta por Elmer Bernstein, como a nível narrativo e desenrolar da tensão dramática.

 

Mas é acima de tudo pela construção que Haynes faz das personagens que habitam os espaços tão bem orquestrados que este Far From Heaven se destaca. É em Cathy que podemos ver toda a genialidade, não só da fabulosa Julianne Moore detentora de um desempenho memorável (escapando-lhe o Oscar somente porque naquele mesmo ano estava a competir em duas categorias distintas, e claro, foi o ano de "As Horas" e de Nicole Kidman, filme pelo qual Moore tambem fora nomeada na categoria de Actriz Secundária ) mas do próprio Haynes pela construção psicológica de faz de tal personagem. Ainda uma referencia para Dennis Quaid (um dos seus melhores desempenhos) e Dennis Haysbert.

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Segunda-feira, 14 de Agosto de 2006
63rd Venice Film Festival

 

E depois do festival de Locarno, onde Portugal foi extremamente bem representado, não só pela Mensão Honrosa, mas tambem pela presença de João Pedro Rodrigues como um dos Juris do Festival, surge como é habitual por esta epoca um dos mais importantes festivais de todo o mundo (a par é claro de Cannes) é ele o Festival de Veneza. Começara no final do mês e em competição encontram-se alguns dos mais esperados filmes do ano. Eis a lista:

 

 «Hollywoodland»

 «The Black Dahlia»

«Children of Men»

«Bobby»

«The Queen» 

«Private Fears in Public Places»

«The Fountain»

«La stella che non c`e»

«Fallen»

«Nuovomondo»

«L`intouchable»

«Paprika»

«Zwartboek»

«Mushi-shi»

«Fangzhu»

«Daratt»

«Nue propriété»

«Quei loro incontri»

«Hei yanquan»

«Ejforija»

«Sang sattawat»

Veremos qual será o sucessor de Brokeback Mountain.



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Quarta-feira, 26 de Julho de 2006
Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest

De Gore Verbinski, com Johnny Depp, Orlando Bloom, Keira Knightley, Bill Nighy...

 

E depois de uma agradável surpresa no ano passado com Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl eis que inevitavelmente surge a sua sequela. Inevitavelmente porquê? Ora não esteja-se-mos nós a falar de um blockuster.

Se se repetisse a qualidade do primeiro filme já estaria satisfeito, pois decidi não criar muitas expectativas em relação ao segundo, mas infelizmente o que já esperava veio a suceder, estamos perante uma sequela que não faz nem de perto nem de longe jus ao seu antecessor. Este Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest não é mais que um punhado de cenas de acção sustentadas por um argumento bastante desequilibrado, onde a falta de imaginação é notória. O que se faz então? Filma-se um filme de duas horas e meia em estilo video-clip MTV (onde nem tempo temos para respirar) e dá-se especial atenção ás beldadas que emprestão o seu corpo e mais nada, pois Orlando Bloom é mais uma vez Orlando Bloom (não estão fartos de ver a mesmo personagem em diferentes filmes??) com uma roupa diferente e Keira Knightley consegue mesmo em certas partes enervar tal a sua incapacidade de interpretação. Mesmo no que toca ao espírito cómico que está invariavelmente ligado a este Pirates of the Carabbean não funciona tão eficazmente neste como em Dead Men Chest. Não fosse por Johny Deep (e algumas, não tantas como esperava, cenas cómicas) que consegue salvar o filme da mediocridade. Só espero que esta falta de qualidade seja uma forma de sacrifício deste em detrimento do terceiro filme da trilogia que em principio deve estrear no próximo ano.

 

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publicado por Iluvatar às 20:39
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Terça-feira, 11 de Julho de 2006
Everything Ends

 

Pois é... era inevitável. Uma das mais emblemáticas séries da história da televisão chegou ao fim. Com o título "Everyone's Waiting", este foi o ultimo épisodio de Six Feet Under. Para quem viu, sabe perfeitamente que a palavra "ultimo" é aqui aplicado na verdadeira e derradeira ascenção do termo.

 Nenhuma outra série teve em mim tanto impacto como esta, e era-me dificil imaginar como é que seria quando acabasse. Apesar de já ter visto a quinta sessão à bastante tempo (sou um criminoso. Não consegui mesmo esperar) acompanhei religiosamente quando esta passou na 2:, e é impressionante a maneira como mais uma vez me deixar entregar.

Six Feet Under é daqueles raros objectos que conseguem juntar como poucos humor e drama. Extremamente bem realizado e escrito, Allan Ball é um verdadeiro génio, transformando cada episodio numa obra-prima. Detentor de um elenco fenomenal, que com a ajuda de Allan Ball constroem personagens do mais humanamente realistas que já se viu. Personagens com quem rimos, choramos, sofremos...

Falar de Six Feet Under não é de todo facil, especialmente depois do ultimo episodio. Mas o que realmente se torna dificil é despedirmo-nos de Claire, Nate, David, Ruth, Federico, Keith, Brenda, e tantos outros seres que por lá habitaram. Não sei se foi prepositada aquela despedida final, mal se virmos bem é talvez uma metáfora. Em que nós (publico) somos a Claire e nos estavamos a despedir (neste caso) da série em si. Tal como Claire somos nós que viajaremos para outra lugar, a familia Fisher lá continuará.

 E tal como Claire, não sei como conseguirei despedir-me. Nate dá um conselho: "Just say goodbye...just say i love you...i miss you" e eu respondo "oh my god, i'm gonna miss you so much"

 


música: Breathe Me - Sia

publicado por Iluvatar às 17:41
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